13 de fevereiro de 2022

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por: stella

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Vamos falar de alta de pacientes?

A alegria estampada nos rostinhos de pacientes e familiares quando indicamos a alta é indescritível. O trabalho todo é feito, na verdade, esperando esse fim, ou seja, quando um paciente tem alta do tratamento é porque atingiu os objetivos propostos e tem mesmo que comemorar. E aqui comemoramos cada etapa, das altas por especialidades até a definitiva.

Na área de reabilitação, segundo o terapeuta ocupacional Fábio Carvalho, os procedimentos técnicos de triagem, avaliação e terapêuticos devem ser muito bem delineados e objetivos por parte do profissional de saúde para que o planejamento do trabalho tenha início, meio e fim: da evolução até alta. E que os familiares sejam comunicados sobre todos esses passos, mesmo que os resultados somente possam ser obtidos a médio e longo prazos em função das características. “Isso não significa que seja possível renunciar a essas prerrogativas e responsabilidades profissionais, principalmente, sobre o processo de evolução e a alta”, explica Fábio.

Mas quando saber se é a hora certa?

De acordo com o TO, depende do transtorno e dos objetivos alcançados com o tratamento da criança e deve acontecer assim que ela evolua e adquira habilidades que lhe permita funcionar com mais autonomia e independência nas suas atividades cotidianas e de vida diária. São elas: comunicação, locomoção, alimentar-se, vestir-se, cuidar da higiene, frequentar a escola e ser capaz de brincar em comunidade.

Um exemplo dado pelo terapeuta é de uma criança que precisa desfraldar porque já ultrapassou a idade média dos 3 anos. “Após o treinamento, ela estará em condições de se comunicar melhor com seus pais ao pedir para fazer xixi ou cocô. Outra criança cuja queixa se refere à seletividade alimentar pode desenvolver habilidades sensório-motoras e adquirir novos hábitos, ampliando o repertório de alimentos aceitos e, com isso, diminuindo os conflitos familiares nas horas da alimentação”, esclarece.

Esses exemplos podem fazer parte de um conjunto de intervenções ou serem atuações focais sobre um determinado problema que poderá resultar numa alta específica ou, ainda, constituir-se no ultrapassar de determinadas etapas das disfunções de uma criança dentro de uma terapêutica mais abrangente, que envolva diversas modalidades de intervenções até que a criança receba a alta final”, complementa Fábio.

Pode haver reincidência?

A possibilidade de regressão das disfunções clínicas de uma criança após a alta é remota, de acordo com o terapeuta. Exceto se houver uma outra emergência da clínica médica. “O que temos evidenciado é o surgimento de novas demandas terapêuticas quando as crianças, depois de tratadas em suas disfunções de base do desenvolvimento, ingressam na adolescência. Neste momento, surge uma série de dificuldades decorrentes das exigências desta nova etapa e isto pode se configurar como uma nova modalidade de tratamento”, finaliza.