8 de março de 2022

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por: stella

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Um história especial

Neste Dia Internacional da Mulher, convidamos nossa fisioterapeuta Andyara Doyle para contar sua emocionante experiência de vida nos últimos 3 anos, que teve sonhos, sustos e grandes realizações.

Com a palavra, Andyara!

 

Sou casada há 8 anos e há 3 tentava engravidar. Buscamos médicos e tratamentos e descobrimos uma endometriose. Fui indicada, então, para fazer uma fertilização in vitro pois o sonho de ter um bebê era grande. Na primeira tentativa deu certo, ficamos “grávidos” para nossa alegria.

Uns dias depois eu tive um sangramento muito assustador e passei por momentos difíceis. A médica chegou a diagnosticar um aborto, porém, mais uma vez com as mãos de Deus esse diagnóstico foi revertido e alguns dias depois eu pude ouvir o coração da bebê no ultrassom. Depois de um tempo tivemos a alegria de descobrir que seria uma menina, tão sonhada e tão esperada, e seu nome seria Isabela.

Aos 4 meses de gestação eu contraí covid-19. A princípio fiquei em casa esperando passar os sintomas da doença, mas eles foram se agravando. Com o passar dos dias fui ficando cada vez mais debilitada, com muito cansaço e sintomas mais graves. Fui para o hospital, me liberaram algumas vezes, mas tínhamos a sensação de que ninguém sabia o que fazer com uma grávida com covid. Minha saturação foi baixando até que um dia eu fui pro hospital e fiquei internada. A máscara de oxigênio não era suficiente, os médicos pediam para eu não sair mais do quarto, eu não podia mais me desconectar do aparelho de oxigênio. Fiquei ali por algumas horas e no outro dia recebi a notícia de que seria intubada. Fiz mil perguntas, por ser da área de saúde, queria saber da minha bebê. A médica me respondeu: “vamos pensar em você, a bebê a gente pensa depois”.

Foi um momento de muita angústia e muita tristeza para minha família, mas foi o momento em que nos agarramos à fé. Fui intubada ali no quarto mesmo, uma equipe enorme entrou, meu marido estava comigo e teve que sair do quarto e ali começou uma batalha. Fiquei quase 13 dias intubada, em estado muito grave. Amigas minhas que trabalhavam no hospital traziam notícias para minha família e não eram nada animadoras. Um dia tive um cálculo de risco de morte de 80%, com comprometimento bilateral dos pulmões. Em todo esse tempo minha bebê ficou bem, tinha festa na UTI quando eles faziam ultrassom, porque eles viam que apesar de eu estar sedada e intubada, minha bebê tinha movimentos e estava sempre ativa. Por volta de 7 dias de intubação eles planejaram uma cesárea de emergência, simplesmente para tirar o feto e não sobrecarregar os meus pulmões. Mas mais uma vez Deus agiu e essa decisão foi revertida pela equipe médica, decidiram não fazer. Dali 5 dias eu pude ser estubada, acordei na UTI sem nenhum movimento, só mexia os olhos, não era capaz de levar a mão à boca, não conseguia movimentar nada. Pude passar o que nossos pacientes muitas vezes passam, que é uma paralisia de uma parte do corpo, no meu caso pela sedação, medicação e também pela inflamação causada pelo covid. Foram muitos dias no hospital ainda para recuperação dos movimentos, da respiração, da fala. Tive que usar sonda para me alimentar. Com o passar dos dias eu fui recuperando, fazendo fisioterapia, fui paciente da fisioterapia, isso me rendeu uma experiência incrível de estar do outro lado, com o cuidado de pessoas maravilhosas que me reensinaram a andar, comer, falar, e enfim pude ir pra casa.

No dia da alta, para minha surpresa e alegria, minha família me esperava do lado de fora do hospital, eu vi pela janela meus sobrinhos, minha mãe, minhas irmãs, com bexigas coloridas e faixas dizendo que me amavam e amavam a Isabela. Isso encheu meu coração de alegria e gratidão à Deus por ter feito esse milagre: ter conservado a minha vida e ter conservado a vida da Isabela, ou seja, o melhor de todos os desfechos. Eu vim pra casa de cadeira de rodas sem conseguir andar, mas a cada dia eu me esforçava, eu tentava um pouquinho mais, e com a graça de Deus fui recuperando os movimentos, a marcha. Depois consegui aos poucos recuperar todos os movimentos e pude curtir o finalzinho da gestação, arrumar as coisas da Isabela… porém, tivemos mais um susto no final, quando ela estava de 34 semanas, minha bolsa rompeu no dia do meu aniversário – acho que foi um presente – e ela nasceu prematura, mas cheia de saúde, não precisou de UTI e nem ficou longe de mim nenhum minuto. Ela pôde ser trazida pro meu colo assim que nasceu, pois veio num lindo parto normal.

E aqui estamos curtindo a maternidade, esse sonho que Deus nos permitiu viver, apesar de tudo o que nós passamos. E eu sou muito grata a Deus e à equipe da Ludens. Depois pude saber, por meio da minha família, que todos me deram apoio, oraram e torceram por nós, e isso fez toda a diferença. Sou muito grata e muito feliz por ter vivido essa experiência, que apesar de dolorosa, me trouxe muito crescimento na fé, principalmente, e também na certeza de que a vida é um milagre, que a vida é um presente.