20 de dezembro de 2018

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por: ludens

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Categorias: Novidades de Tratamento

Um conto e muitas emoções

 

O dia 1º de dezembro foi muito especial para Luigi Epiphanio Venturoli, nosso paciente de 10 anos. Diagnosticado com autismo quando tinha apenas dois anos e meio, ele lançou seu livro – “O Relógio que perdeu as horas” – no início de dezembro, na Livraria Lumos do Shopping Center de Rio Claro, cidade onde mora com os pais Marcelo e Patricia e com o irmão gêmeo Giuliano, também autista. A obra de título criativo é um projeto da ALUZAZUL e conta a história de um relógio despertador que perde seus números e, consequentemente, suas horas, e começa uma saga para recuperá-los.

 

Os desafios da vida dos meninos sempre foram encarados mediante muita atenção, cuidados e o hábito da leitura. Os pais sempre estimularam a contação de histórias, criando e imitando vozes de personagens, principalmente na hora de dormir. Até que ambos se alfabetizaram precocemente, antes dos 4 anos, e passaram a contar, eles próprios, as histórias.

 

“Luigi sempre amou ler.  Escrever foi um desafio porque tinha grande dificuldade motora e sempre teve o sonho de conseguir fazer letra cursiva, por isso pediu a conquista num dia de Natal. Um ano depois, com muito treino, a letra linda e desenhada chegou, para orgulho nosso.” – Patrícia, mãe do Luigi

 

Algumas características e dificuldades do Transtorno do Espectro Autista (TEA) são da natureza da comunicação e a criatividade e imaginação devem ser estimuladas para que venham à tona. “Eles fixam seus interesses em objetos e no caso deles, as letras do alfabeto sempre foram o foco de interesse. Na época da criação do livro, o tema favorito eram relógios e números”, explica a mãe de Luigi. “Queriam um relógio despertador no quarto para ouvir seu ruído estridente pela manhã, mas não deu certo, pois o tic-tac não os deixava dormir. O relógio-cuco do tio avô Humberto era alegria total”, comenta.

 

E foi nesse contexto que surgiu “O Relógio que perdeu as horas”, quando Luigi tinha sete anos. “Lembro que chorei em silêncio e não queria esquecer nenhum pedaço daquela história linda”, conta Patrícia, que transferiu toda a imaginação do filho para textos no computador. Após três anos de espera, eles conseguiram um patrocínio da empresa de produtos orgânicos Korin e da Clínica Hélio A. Epiphanio para então imprimir e lançar a obra infantil.

 

“Desejamos que todos os pais inspirem seus filhos da mesma forma que eles nos fazem ao mudar o nosso modo de ver o mundo e o que é realmente importante nesta vida.” – Patrícia, mãe do Luigi

 

Sobre eles

 

Os irmãos foram diagnosticados com TEA aos dois anos e meio, na escola onde estudavam. O comportamento deles era diferente das demais crianças, pois não faziam contato com os colegas, não participavam das brincadeiras e preferiam se isolar, vivendo no mundo das letras e dos números.

 

Após o diagnóstico, ambos iniciaram os trabalhos de fonoaudiologia e terapia ocupacional e aos quatro anos passaram a se tratar na Ludens com TO, educador físico, fisioterapeuta e psicóloga, duas vezes por semana. “Em nossa cidade, também faziam equoterapia, natação especial e musicoterapia”, complementa a mãe.

 

Hoje Luigi já se socializa, conversa, conta piada e dança nas festas. E trabalha para melhorar o planejamento motor, a coordenação fina e entender suas ansiedades, emoções, o irmão e o início da pré-adolescência.

 

“Nós, pais, somos fundamentais para trazer o potencial de nossos filhos à tona. Cada um tem que observar seu filho e ver qual o foco do seu interesse e, assim, possibilitar que esta ponte seja o início de um longo desabrochar por meio da interação”, finaliza Patrícia.