Integração Sensorial de Ayres: História e Teoria

Integração Sensorial (IS)

A Integração Sensorial é uma área de especialidade da Terapia Ocupacional que se baseia em mais de 40 anos de pesquisa e desenvolvimento da teoria. O termo “integração sensorial” refere-se a:

  • A forma como o cérebro organiza as sensações para o envolvimento na ocupação
  • Uma teoria baseada na neurociência que fornece a perspectiva para avaliar as dimensões sensoriais do comportamento humano
  • Um modelo para a compreender a forma com que a sensação afeta o desenvolvimento
  • Avaliações incluindo testes padronizados, observação sistemática, e entrevistas com pai ou professor que identificam padrões de disfunções de integração sensorias
  • Estratégias de intervenção que melhoram o processamento de informações, a práxis, e o engajamento na vida diária dos indivíduos.

História da Integração Sensorial

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A especialidade de integração sensorial (SI) foi originalmente desenvolvida pela A. Jean Ayres PhD, OTR, que era ao mesmo tempo terapeuta ocupacional e psicóloga educacional. Como parte do corpo docente de terapia ocupacional da USC, ela desenvolveu um quadro teórico, um conjunto de testes padronizados (hoje conhecidos como os Testes de Integração Sensorial e Práxis – SIPT), e uma abordagem clínica para identificação e tratamento de problemas de IS em crianças. Suas publicações sobre integração sensorial abrangem um período de 30 anos a partir da década de 1960 até a década de 1980, e incluem estudos psicométricos, bem como ensaios clínicos e estudos de casos individuais.

O que significa Terapia Ocupacional com base em Integração Sensorial?

A maior parte das pesquisas e da prática em Integração Sensorial é focada em crianças que têm uma série de dificuldades de desenvolvimento e aprendizagem, incluindo autismo e outras deficiências e condições de risco do desenvolvimento, comportamento e distúrbios de atenção, dificuldades de aprendizagem e dispraxia. Uma avaliação minuciosa é fundamental para determinar se um problema de processamento sensorial é um fator no desenvolvimento da criança, e em caso afirmativo, definir quais as estratégias de intervenção que mais irão ajudar esta criança e sua família.

A intervenção clássica geralmente ocorre dentro de um ambiente terapêutico especialmente concebido que permite ao terapeuta apresentar desafios sensoriais e de movimento específico para a criança, que gradualmente aumentam em complexidade ao longo do tempo. Este tipo de intervenção é caracterizado por uma atmosfera lúdica em que a criança é incentivada a gerar ideias para atividades, para responder de forma flexível a novos desafios e desenvolver a confiança, bem como a competência.

A intervenção inclui consultas e instrução aos pais, professores e outros profissionais de saúde, modificação de ambientes e inclusão de atividades com base sensorial apropriada ao longo do dia. A aplicação dos princípios de integração sensorial dentro das clinicas, empresas e instituições leva em consideração as demandas sensoriais no local de trabalho. A aplicação em outras populações leva em conta, também, as diferenças e exigências sensoriais e práticas desta população, como por exemplo, adultos com autismo.

Mais sobre Integração Sensorial

O termo integração sensorial tem um significado especial para terapeutas ocupacionais. Em alguns contextos, é usado para se referir a um modo particular de visualização da organização neural de informação sensorial para o comportamento funcional. Em outras situações, este termo refere-se a um quadro clínico de referência para a avaliação e tratamento das pessoas que têm distúrbios funcionais no processamento sensorial. Ambos os significados foram originados na obra de A. Jean Ayres, terapeuta ocupacional e psicóloga educacional, cujas pesquisas originais e insights clínicos brilhantes revolucionaram a prática da terapia ocupacional com crianças.

As ideias de Ayres “marcaram o início de uma nova forma de olhar para as crianças e compreender melhor sobre o desenvolvimento, aprendizagem e problemas emocionais que surgem durante a infância.

Integração Sensorial no desenvolvimento da criança

Uma das contribuições mais distintas que Ayres realizou para entender o desenvolvimento da criança era seu foco no processamento sensorial, principalmente com relação aos sentidos proximais (vestibular, táteis e proprioceptivos). Do ponto de vista da integração sensorial, esses sentidos são enfatizados pois são primitivos e primário; eles dominam as interações da criança com o mundo no início da vida. Os sentidos distais, de visão e audição são críticos e tornam-se cada vez mais dominantes a medida em que a criança amadurece. Ayres acreditava, no entanto, que os sentidos centrados no corpo são uma base sobre a qual as ocupações complexas são construídas.

Além disso, quando Ayres começou seu trabalho, os sentidos, vestibular, tátil e proprioceptivo foram praticamente ignorados pelos estudiosos e médicos que estavam interessados no desenvolvimento da criança. Ela, então, dedicou sua carreira a estudar os papéis que esses sentidos esquecidos desempenham no desenvolvimento e na gênese de problemas de desenvolvimento das crianças. Uma suposição básica feita por Ayres, era que a função do cérebro é um fator crítico para o comportamento humano. Ela fundamentou, portanto, que o conhecimento da função e disfunção cerebral lhe daria uma visão sobre o desenvolvimento da criança e assim a ajudaria a entender os problemas de desenvolvimento das crianças.

No entanto, Ayres também tinha uma orientação pragmática que surgiu de sua experiência profissional como terapeuta ocupacional. Ela estava preocupada especialmente com o modo como as funções do cérebro afetavam a capacidade da criança de participar com sucesso em ocupações cotidianas. Consequentemente, o seu trabalho representa uma fusão de insights neurobiológicos com as preocupações práticas e cotidianas dos seres humanos, em particular das crianças e suas famílias.

Assim que Ayres desenvolveu suas ideias sobre a integração sensorial, ela usou termos como integração sensorial, resposta adaptativa e práxis de maneiras que refletissem sua orientação. Ela tirou outros termos da literatura e outros campos. Quando Ayres emprestou um termo de outro campo, no entanto, ela conferiu um significado especial para ele. Por exemplo, Ayres não usou o termo integração sensorial para se referir unicamente às conexões sinápticas intrincadas dentro do cérebro, como os neurocientistas. Em vez disso, ela aplicou a processos neurais e como eles se relacionam com o comportamento funcional. Daí sua definição de que a integração sensorial é a “organização da sensação para o uso” (Ayres, 1979, p. 5). Esta inclusão da cláusula final “para uso”, define uma marca de Ayres, pois amarra o processamento sensorial à ocupação da pessoa.

Ayres introduziu um novo vocabulário da teoria da integração sensorial e sintetizou conceitos importantes da literatura neurobiológica para organizar seus pontos de vista sobre o desenvolvimento da criança e disfunção. Muitas dessas ideias foram publicadas pela primeira vez em seu livro clássico de 1972, Sensory Integration and Learning Disorders  (Integração Sensorial e Transtornos de Aprendizagem). Mais tarde, em 1979 (com reedição em 2004), ela escreveu um livro para os pais, Sensory Integration and the Child (Integração Sensorial e a Criança) , delineando as mudanças de comportamento que podem ser observadas em uma criança à medida em que a integração sensorial se desenvolve.

De Parham, D., & Mailloux, Z. (2001). Sensory Integration. In J. Case-Smith (Ed.), Occupational therapy for children (pp. 329-381). Philadelphia, PA: Mosby.

Original em Inglês – USC

PROGRAMA USC DE CERTIFICAÇÃO EM INTEGRAÇÃO SENSORIAL NO BRASIL