29 de julho de 2019

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por: ludens

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Categorias: Novidades de Tratamento

Síndrome de Burnout: aqui não!

Por Ana Sílvia Sanseverino Rennó

 

A Síndrome de Burnout tem sido diagnosticada com cada vez mais frequência e é muito confundida com depressão, outra doença que, se não tratada, pode acarretar em sérios riscos à saúde.

A Ludens convidou a psicóloga mestre e especialista em Burnout, Ana Sílvia Sanseverino Rennó, para uma entrevista que vai tirar dúvidas sobre o assunto e mostrar que a prevenção ainda é o melhor negócio. Confira:

 

  • O que é a Síndrome de Burnout e quais seus principais sintomas?

 

É um estado físico, emocional e mental de esgotamento excessivo que apresenta três sintomas principais que devem ser levados em conta:

  • exaustão emocional – que não melhora nem com descanso;
  • despersonalização – o indivíduo não vê mais sentido em suas atividades principais;
  • baixa realização pessoal – os resultados pessoais ou profissionais esperados não são mais atingidos.

 

2) Como a síndrome se instala? Existe prevenção?

A síndrome acontece após estresse não mediado, quando ele tem uma característica negativa, ou seja, persiste e não há possibilidade de intervenção. O estresse é um mecanismo de defesa para que a pessoa fique atenta a algum risco iminente à sua integridade física e mental e sua função básica é alertar sobre a probabilidade de alguma mudança ou algo novo que possa ocorrer. No mundo animal, por exemplo, ele serve para direcionar o comportamento entre lutar ou fugir do perigo.

Sendo assim, o estresse pode ter característica positiva também, quando a pessoa consegue mediar a situação através de comportamentos que ajustem a situação e favoreçam o reequilíbrio. É muito importante ressaltar a questão da individualidade, pois as possibilidades de prevenção devem ser avaliadas de acordo com cada pessoa, na alimentação equilibrada e saudável, na prática de exercícios físicos que gerem prazer, em atividades de descanso e pausa da rotina que tragam sensação de bem-estar. Podem ser coisas simples como tomar um café ou ouvir uma música que traga boas lembranças, mas necessariamente a pessoa precisa sentir-se bem. Além disso, o diagnóstico correto e a intervenção através do processo terapêutico com psicólogos especializados são fundamentais para os resultados serem os melhores possíveis.

 

3) Em que posição o Brasil está nesse tipo de síndrome com relação a outros países?

De acordo com pesquisa realizada pelo ISMA-Br em 2018, 72% da população brasileira apresenta estresse e 32% desenvolve a Síndrome de Burnout. Recentemente, ela foi incluída na classificação internacional de doenças (CID – 11) e a partir da divulgação da inclusão, especialistas esperam que ela ganhe maior visibilidade e passe a ser vista de maneira integrativa dentro do contexto de saúde/trabalho.

 

4) Existem tratamentos eficientes para o Burnout?

As pesquisas científicas brasileiras começaram a ser intensificadas há 5 anos e a boa notícia é que há possibilidade de tratamento, que inclui terapia com psicólogo especialista na área, focando na reorganização de hábitos e rotinas. O mindfulness também tem sido indicado e estudos atuais apontam grande melhora no estresse e consequentemente na prevenção da Síndrome de Burnout. Ainda não há um protocolo específico e aprovado, mas estamos caminhando bem.

 

5) Quem tem a síndrome consegue retomar sua carreira normalmente?

Há grande possibilidade de cura, porém há a necessidade de terapia e reorganização da rotina, como disse anteriormente. Um grande fator de prevenção para o Burnout é trabalhar com algo que faça sentido para a pessoa, pois sempre que ela vê sentido em suas atividades, mesmo que haja cansaço e estresse, há possibilidade de reorganização e mediação do processo.