25 de agosto de 2020

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por: ludens

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Categorias: Novidades de Tratamento

SÉRIE: MEU FILHO NÃO… gosta de cortar as unhas e/ou os cabelos

Somos feitos de sensações, isso é fato. A forma como as interpretamos é que faz a diferença para que se tornem boas ou ruins.

Um dos responsáveis por isso é o sistema tátil, que está em toda parte do nosso corpo, inclusive dentro da boca. Ele tem um papel importante que é sua função protetora, ou seja, nos dá o caminho para que entendamos se são boas ou ruins, confortáveis ou dolorosas, perigosas ou inofensivas.

Para algumas pessoas, o sistema tátil que processa e diferencia essas informações não funciona como deveria, e então elas apresentam determinadas dificuldades nas atividades da vida diária, que normalmente parecem cotidianas à grande maioria. Por exemplo: existem crianças com o baixo registro tátil e, assim, a discriminação se torna prejudicada. “São aquelas crianças que não percebem que estão sujas, se chocam, se batem constantemente, colocam muita comida na boca e muitas vezes se machucam e nem se dão conta”, afirma Sara Caliman, terapeuta ocupacional da Ludens.

Defensividade tátil

Em contrapartida, existem crianças que tem uma hipersensibilidade tátil. Imagine uma pele que deveria proteger e ao mesmo tempo vivenciar novas experiências, pois é, para essa criança tudo será ameaçador, doloroso, sofrido, muitas vezes causando irritabilidade e estresse, para ela e também seus familiares. A situação acaba acarretando prejuízos cotidianos tanto nas atividades de vida diária como no próprio brincar e nas atividades de lazer. “Esse comportamento é denominado por nós como defensividade tátil”, define.

Sim, existe um componente emocional que está ligado intimamente ao sistema tátil, em relação ao toque de outras pessoas ou certas texturas. Para quem apresenta um quadro defensivo, o simples ato de pentear ou cortar os cabelos pode ser uma experiência dolorosa. A água que é borrifada no momento do corte de cabelo ou a água que cai do chuveiro sobre a pele pode dar a sensação de agulhas. “Outras experiências que constantemente se tornam desafiadoras e estressantes são a escova de dentes que percorre a boca, os pés na grama, ir à praia”, acrescenta a terapeuta.

Na maioria das vezes, as pessoas que são mais “sensíveis” que outras tem seus comportamentos atribuídos à personalidade, natureza emocional ou tendências comportamentais. Entretanto, foram documentados casos suficientes de defensividade tátil que confirmam a condição de base neurológica, que pode criar muito desconforto ou uma desorganização para quem a experimenta (inclusive uma desorganização emocional que deflagra comportamentos inesperados).

O sentido do tato é intimamente relacionado às emoções, portanto, sofrer desconforto frequente por meio deste sentido é o suficiente para desencadear reações emocionais bastante fortes. As crianças que sofrem com o problema são frequentemente descritas como irritadiças, briguentas, retraídas, choronas e bravas. Muitas vezes essa condição faz com que seja difícil prestar atenção na escola.

“O melhor a se fazer, nesses casos, é procurar um Terapeuta Ocupacional especializado em Integração Sensorial para avaliar e auxiliar nas tarefas do cotidiano, bem como apresentar novas experiências. Não falamos em dessensibilização, e sim, em uma organização e integração dos sentidos para que as respostas ao sistema tátil sejam funcionais e auxiliem