2 de março de 2021

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por: stella

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Semana da Mulher – Por Dayse

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Minha história – Dayse

 

Sou a Dayse Cristina Toledo Moreno, sou psicóloga e tenho 43 anos. Sou casada com o Fernando há 13 anos e mãe do Davi, de 9 anos, e do Felipe, de 3. Minha principal área de atuação profissional é a organizacional, de desenvolvimento de pessoas.

 

Antes de ser mãe, fui convidada a desenvolver um projeto de inclusão de pessoas com deficiência, inédito na empresa, e tive a liberdade de “escolher” com qual deficiência eu gostaria de trabalhar e adivinhem? Na verdade, depois que o Davi nasceu eu entendi, fundamentada na minha fé, que eu fui escolhida para trabalhar exclusivamente com pessoas com Síndrome de Down. Foi um grande aprendizado para todas as pessoas da empresa e, para mim, foi o maior e melhor “curso preparatório” da vida. Com a assessoria da Fundação Síndrome de Down, aprendi muito, o que foi fundamental para quebrar paradigmas e desmistificar esse universo.

 

O nascimento do Davi foi muito esperado e festejado por toda família e amigos: primeiro neto, primeiro sobrinho, primeiro bebê do nosso círculo de amizades. A gestação foi tranquila, com todos os exames “dentro do padrão de normalidade”.

 

Quando ele nasceu, em 2012, ainda no centro cirúrgico, ao ver aqueles olhinhos e aquela linguinha, meu coração soube. Quando nos encontramos no quarto e ele, todo molinho, hipotônico, não conseguiu mamar, meu coração tremeu. Logo chamamos o pediatra e ele então confirmou que havia a possibilidade de ser Síndrome de Down, mas que seria necessário o cariótipo.

 

No dia seguinte ao nascimento, ele teve que ir para a NEO, pois não conseguiu se alimentar/sugar e teve um quadro de hipoglicemia. Foi minha primeira experiência de “mãe onça” na vida, pois acredito que a equipe do berçário foi negligente, pois eles poderiam ter oferecido um complemento para ele no copinho e, assim, evitado a crise. Eu tive alta e voltamos para casa com o coração em cacos sem nosso “pacotinho” e foram mais 9 dias até que pudéssemos levá-lo para casa. Pode parecer pouco, mas para nós foi uma eternidade.

 

O resultado do exame cariótipo do Davi ficou pronto uma semana depois e apesar de toda desconfiança prévia, não é possível negar que houve um choque, um medo, um “e agora?”. Mas seguimos com um amor do tamanho do mundo, uma super rede de apoio da família, agarramos a “missão” pedindo a Deus força e sensibilidade para ser a melhor base para tudo o que o Davi precisasse na sua vida para crescer feliz e saudável e desenvolver ao máximo todas suas potencialidades.

 

E lá fomos nós com nosso pequeno, com 28 dias, para a APAE para iniciar suas estimulações. Com 7 meses fomos para a Fundação Síndrome de Down a fim de melhorar os processos de estimulações do Davi.

 

Com 8 meses, um novo “tranco”: Davi foi diagnosticado com Síndrome de West, um quadro raro de epilepsia infantil. Com isso, ele teve um importante comprometimento neurológico e motor, “perdeu” todos os ganhos que havia conquistado desde o nascimento. Tivemos que buscar um atendimento diferenciado, que pudesse suprir melhor todas essas novas demandas. Então, quando ele tinha 11 meses, fomos apresentados para a Clínica Ludens, onde fomos recepcionados, acolhidos e abraçados pela Sandra, foi “amor à primeira vista”. Ele começou com fono apenas, devido a uma necessidade alimentar urgentíssima que ele tinha. Em seguida, demos início à fisio e, na sequência, Terapia Ocupacional. Nesses 8 anos de Ludens, Davi vem colecionando conquistas e aprendizados, no seu tempo, passo a passo, e atualmente ele faz 3 fisios, 2 fonos e 1 TO por semana.

 

Uma decisão muito importante foi a de “pausar” minha carreira profissional. Não voltei a trabalhar fora depois que ele nasceu, pois junto com meu marido, concordamos que seria muito importante para o desenvolvimento do Davi essa minha dedicação integral. Então me tornei a “mãetorista” e auxiliar de terapia do meu pequeno. Ele não fala, não anda e depende de auxílio para todas as atividades, daí a necessidade de eu estar perto. E assim ficamos juntinhos, em terapia, inclusive durante toda a gestação do segundo filho, o Felipe, em 2017. Acompanhamos as terapias até o último momento, quando a bolsa estourou… pura emoção!

 

Fizemos uma pausa de 2 meses, eu e o Felipe, e nesse período o Davi ia para a Ludens com o papai. Mas depois disso, sempre nós 4 juntos.

 

Tudo mudou

 

Chegou a pandemia e a quarentena, o que me trouxe um novo desafio: ser professora dos dois, acompanhando e auxiliando nas aulas online e terapeuta online do Davi. Sem falar nos cuidados com a casa, pois, isolados, por segurança, dispensamos a moça que ajudava com a casa. Cozinhar, lavar, passar e lidar com toda a ansiedade e estresse de duas crianças presas dentro de casa não foi nada fácil. E ainda estamos assim, já que ainda não retornamos à rotina presencial.

 

Apesar da sobrecarga que essa rotina online me trouxe, descobri uma nova paixão: o mundo da psicopedagogia, da educação inclusiva. Preparar os materiais/atividades complementares para as aulas do Davi despertaram em mim uma vontade de aprender mais para conseguir me aplicar, me dedicar mais ao seu aprendizado/desenvolvimento. E ele foi combustível para isso, pois teve um desenvolvimento gigante no ano de 2020! Por isso esse ano iniciei uma pós-graduação em Educação Inclusiva.

 

Gosto muito de cozinhar, mas não a rotina do dia-a-dia. Gosto de inventar, fazer pratos diferentes, criar! Só não me agrada a pia cheia depois… rs.

 

Antes dessa loucura (pandemia) eu fazia Pilates e gostava muito. Mas, desde então, com os meninos em casa o tempo todos, só me restaram as caminhadas matinais, às 6h, antes que eles acordem e antes que o marido saia para o trabalho. Faz muito bem, é o momento que eu tenho para mim, para respirar, organizar as ideias, ter longas conversas com Deus. Sim, longas conversas com Deus e com Nossa Senhora, são meu combustível.

 

Família, ah, família!

 

Sou de uma família de 3 irmãs. Somos muito ligadas, amigas de verdade. A Juliana é a irmã do meio, enfermeira, uma mãezona, cuidadora, tem um coração maior que ela. A Gislaine, a mais nova, casada com o Leandro, um cunhado/ irmão, mãe da Clara (um anjo lindo que já foi morar no céu) e da Catarina, o pedacinho cor de rosa do meu coração. A Gi é fisioterapeuta, uma mulher forte e muito sensível.

 

Nossos pais, Ademir e Izabel, estão casados há 44 anos e são nosso porto seguro. Nossa base, exemplos de fé, sabedoria, companheirismo e humildade. Minha mãezinha é uma gigante de 1,50 m, a mulher mais incrível do mundo. Humilde, sábia, forte, sensível e cheia de fé, ela sempre tem a palavra certa, o abraço mais acolhedor e o melhor colo do mundo. Quando eu crescer, quero ser como ela.

 

Tenho o privilégio de conhecer e conviver com mulheres lindas, fortes, sábias e batalhadoras, mas minhas irmãs e minha mãe são minhas melhores amigas e maiores referências na vida.

 

E para aquelas mulheres que estão recebendo um diagnóstico inesperado junto com seus pacotinhos, só posso dizer: respire fundo porque esse “luto” inicial passa, e passa rápido. Olhar para dentro é importante e você vai descobrir forças que até então desconhecia. Nunca, jamais olhe para a deficiência do seu filho, olhe e veja apenas seu filho, uma criança linda, importante e especial para você, como qualquer outro filho. E, por fim, peça a Deus todos os dias disposição, um coração sensível, olhos e ouvidos atentos para que você possa suprir todas as necessidades de seu filho. E, principalmente, que Ele coloque sempre seus anjos, as pessoas certas no seu caminho, pois isso é fundamental.