8 de julho de 2019

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por: ludens

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Categorias: Novidades de Tratamento

Fisioterapia respiratória é aliada no tratamento de doenças de inverno

Por Melissa Gurgel Marchini, fisioterapeuta*

Quem tem alguma doença respiratória sabe como um ato tão natural quanto respirar pode se tornar penoso. E no inverno – devido ao tempo seco e frio – o nariz fica mais obstruído e a pessoa acaba respirando pela boca.

Esse hábito pode se tornar um problema e até levar à rinite crônica. O nariz tem sistemas de defesa e quem respira muito pela boca está suscetível a ter mais infecções.

O ato de respirar pela boca também traz reflexos e alterações na coluna, como escoliose e postura cifótica (ombros caídos para frente). Crianças que dormem de boca aberta e respiram por ela ainda podem ter deformidades no tórax e postura da coluna alterada. Essas alterações também acontecem no céu da boca, o que pode resultar em um quadro de apneia do sono e queda da saturação de oxigênio durante o sono.

A boa notícia é que é possível respirar bem e pelo nariz mesmo tendo rinite, sinusite ou outro problema respiratório. Em casos de rinite alérgica, a primeira atitude é se afastar do agente causador da alergia, seja ele ácaro, pêlo de animais, pólen, carpete, cortina, fumaça de cigarro, entre outros. De imediato, já poderá haver uma melhora – e essa é a hora do médico associar medicação, caso seja necessário.

O tratamento é a medicação nasal e, em casos sem resposta, cirurgia pelo otorrino.

 

Como a fisioterapia pode ser eficiente?

 

A fisioterapia respiratória corrige os padrões respiratórios, aumenta a capacidade, ventilação e oxigenação pulmonar e, com isso, torna o pulmão mais resistente a crises de asma, além de diminuir a secreção. O primeiro passo é o profissional de fisioterapia auxiliar o paciente a limpar as vias aéreas. Na desobstrução nasal, a pessoa inclina o rosto para trás para que o fisioterapeuta coloque soro fisiológico em suas narinas. Depois de receber uma massagem nos seios da face, ela estará apta para expelir a secreção para frente.

No tratamento de rinites e sinusites, realiza técnicas que auxiliam na melhora das funções das Vias Aéreas Superiores (VAS), como seios paranasais e as cavidades existentes ao redor do nariz, de forma preventiva e curativa.

A técnica baseia-se na drenagem manipulativa associada ao uso de aparelho terapêutico em regiões dos seios paranasais, tendo como objetivos:

 

– Diminuir o inchaço interno das narinas (edema formado pela inflamação) devido ao aumento da circulação sanguínea local associada à drenagem postural (posição do paciente durante a terapia);

– Aumentar o batimento ciliar das VAS, cuja função é carregar o muco, facilitando e permitindo que a secreção acumulada desça pela garganta e seja deglutida ou expectorada;

– Aliviar a congestão nasal, permitindo que o paciente volte a respirar pelo nariz, diminuindo também o risco das infecções de garganta (glosso-faríngeas);

– Prevenir o acúmulo de secreção e crises de repetição, quando realizada por período prolongado, determinado pelo médico ou fisioterapeuta.

 

A técnica de fisioterapia respiratória associada à DRR (Desobstrução Rinofaringe Retrógrada), com a instilação de soro fisiológico, torna-se muito eficaz, proporcionando ao paciente uma rápida melhora do quadro congestivo, que na maioria das vezes gera, principalmente nas crianças, falta de apetite e períodos de sono interrompidos, deixando-as inquietas e irritadas pela dificuldade de respirar.

A terapia também trabalha com o relaxamento da musculatura superior do ombro, que está “bloqueada”, aumentando a mobilidade do tórax.

Quem tem problemas respiratórios têm muita tensão nessa musculatura e o diafragma fica bloqueado. É como se desse um nó na gravata.

 

 

*Melissa Gurgel Marchini é especialista em Fisioterapia Pediátrica pela Unicamp e mestre em Fisioterapia Respiratória pela UFRN.