O que é Terapia Ocupacional?

É a arte e a ciência de ajudar pessoas a realizarem as atividades diárias que são importantes para elas, apesar de debilidades, incapacidades ou deficiências. “Ocupação”, em Terapia Ocupacional, não se refere simplesmente a profissões ou treinamentos profissionais, e sim, a todas as atividades que ocupam o tempo das pessoas e dão sentido às suas vidas.

Na terminologia da Terapia Ocupacional, essas atividades são denominadas áreas de performance ocupacional, que podem ser divididas em atividades diárias, atividades laborais e produtivas e atividades de lazer e diversão. (referência: AOTA, 1994)

Métodos e técnicas

Um dos carros-chefes da Ludens, a técnica de tratamento foi preconizada pela terapeuta ocupacional americana Jean Ayres. Inicialmente dirigida a crianças que apresentavam distúrbio de aprendizagem, atualmente se ampliou também aos portadores de disfunções sensoriais, neurológicas e comportamentais, que se beneficiam com a sua aplicação em hospitais, instituições, clínicas e escolas. Esse é um processo pelo qual o cérebro organiza as informações, de modo a dar uma resposta adaptativa adequada para organizar as sensações do próprio corpo em relação ao ambiente. As capacidades de processamento sensorial são usadas para a interação social, o desenvolvimento de habilidades motoras e para a atenção e concentração. O terapeuta ocupacional é o profissional que está habilitado para avaliar e aplicar a técnica de Integração Sensorial e para isso é exigido formação específica e treinamento adquirido através da Certificação em Integração Sensorial e outros cursos que ofereçam teoria e prática do método.

Indicações: crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), disfunções sensoriais, TDAH, transtornos neurológicos e distúrbios de aprendizagem.

Abordagem terapêutica que avalia, trata e reabilita pacientes de todas as idades que apresentem distúrbios de controle postural, movimento e função, causados por fisiopatologia do Sistema Nervoso Central. É utilizado por fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogas e consiste na inibição dos padrões reflexos anormais e a facilitação dos movimentos normais. Nesta abordagem, o paciente aprende a sensação do movimento, e não somente o movimento em si. E na terapia ocupacional, prioriza a melhora da capacidade funcional da criança e do adulto para dar maior independência para as atividades de sua rotina diária ao brincar, se alimentar, se vestir, fazer a higiene e atividades escolares e profissionais. Em cada sessão se busca, através de manuseios terapêuticos, movimentos mais controlados e com finalidade pré-estabelecida atingir a função específica desejada pelo terapeuta e cliente.

Indicações: disfunções neurológicas (AVC, paralisia cerebral, patologias motoras), traumatismo craniano, esclerose múltipla, lesão medular.

É o conjunto das funções motoras referente ao desenvolvimento da atividade gráfica, ou seja, é a soma de habilidades básicas para o desenvolvimento da pré-escrita e escrita, que é a atividade mais elaborada e complexa da função manual, e quase indispensável para a aprendizagem e o bom desempenho acadêmico. Para que ela seja adquirida, consideramos alguns componentes: neuromotores (tônus musculares; arcos de movimento; força muscular; capacidade de estabilização proximal-distal); postura correta (manutenção da postura ereta na cadeira; adequação da carteira e cadeira escolar); retroalimentação sensorial; desenvolvimento da preensão e destreza manual; coordenação olho-mão ou integração viso motora (controle motor ocular guia a visão ao objeto e a mão, necessário para o bom desempenho em atividades da vida diária); coordenação bilateral (cada uma de nossas mãos desenvolve habilidades motoras finas independentes, contudo, uma mão tem que coordenar-se com a outra para completar atividades básicas).

Quando esse desenvolvimento não ocorre na fase da alfabetização, vem a escrita ilegível, letras distorcidas, inversões de letras, falta de espaçamento entre letras e palavras, uma escrita que não se mantém dentro das linhas e as letras parecem flutuar na página. As crianças podem se queixar de dor na mão e cansaço, serem muito lentas ao escrever, não completarem as tarefas e se frustrarem por não acompanharem o ritmo da sala. Geralmente, o aluno tem o encaminhamento feito por solicitação da escola, quando o professor já observa alterações no desempenho grafomotor da criança, e o terapeuta ocupacional é o profissional da área de saúde mais capacitado para avaliar e tratar a criança que apresenta dificuldade e/ou atraso no desenvolvimento gráfico.

Indicações: crianças com distúrbios de aprendizagem e queixa de dificuldades acadêmicas com relação a escrita.

Especialidade que visa a reabilitação funcional do membro superior, para os diversos casos de lesões e traumatismos que envolvam os ossos, músculos, ligamentos, nervos periféricos e articulações. Os profissionais necessitam receber treinamento adicional em anatomia funcional, biomecânica da mão e do membro superior para obterem essa especialização, além de conhecimento científico de procedimentos clínicos e cirúrgicos, cicatrização e cuidados com as feridas, cinesiologia e confecção de órteses (aparelhos auxiliares para posicionamento e/ou proteção). Tem como objetivo o tratamento da cicatriz para prevenção de aderências e queloides, controle da dor, controle do edema, realização de exercícios e atividades para ganho de amplitude de movimento e força, orientação para redução sensorial, promoção e treino da motricidade fina (habilidade manual) e confecção de órteses.

Indicações: a criança ou adulto que, por uma lesão periférica ou de origem central (neurológica), tenha acometido o membro superior, com patologias como: paralisias cerebrais, má formação ou anomalias congênitas, amputações, fraturas, Lesões por Movimentos Repetitivos (LER), Paralisia do Plexo Braquial (PBO).

Trabalho terapêutico diferenciado, orientado pelos terapeutas ocupacionais Fábio Carvalho e Sara Calliman, com grupos de adolescentes com autismo, Asperger e paralisia cerebral. Os grupos atuam em questões associadas ao desenvolvimento psicossocial que saem da esfera das metodologias terapêuticas para a infância e mudam o foco para o futuro da escolarização, socialização, mudanças corporais, sexualidade, impulsividade e aprendizagem profissionalizante desses jovens/adultos. Com metodologia apoiada na comunicação, no relacionamento social, nas habilidades, no autocuidado e também com atividades como desenho, pintura, dança, culinária, jogos corporais, música e outras abordagens.

Indicações: adolescentes com autismo, Asperger e disfunções neurológicas e genéticas (paralisia cerebral, atraso no desenvolvimento, síndrome de Down).

Avaliações em Terapia Ocupacional

• Perfil Sensorial 2 de Winnie Dunn
• SPM – Sensory Processing Measure (Diana Parham – 2007)
• Observações estruturadas do desempenho motor em relação aos sistemas sensoriais (Blanche Imperatore, Reinoso, Kiefer-Blanche)
• SIPT – “Sensory Integration and Praxis Tests” (Ayres – 1989)
• Beery VMI – Teste de Coordenação Viso-motora, Percepção Visual e Coordenação Motora
• Bayley 3 – Escalas Bayley de desenvolvimento do bebê e da criança pequena (16 dias a 42 meses)
• BOT2 Bruininks-Oseretsky Test of Motor Proficiency, Second Edition (BOT™-2)
• ABC Movement – Movement Assessment Battery for Children, 2nd Edition (Movement ABC-2)
• TVPS-4 – Test of Visual Perceptual Skills
• Protocolo McMaster de Escrita Manual
• MACS – Manual hability classification system para crianças com Paralisia Cerebral de 4 a 18 anos;
• THE CVI RANGE- Essencial form- classificação de deficiência visual cortical- Avaliação da visão funcional;
• DENVER – teste de triagem do desenvolvimento;
• Avaliação do desenvolvimento infantil baseado no Conceito Neuroevolutivo Bobath;
• Avaliação da dinâmica posicional do Membro Superior;
• Avaliação da biomecânica funcional do Membro Superior.