12 de julho de 2019

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por: ludens

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Categorias: Novidades de Tratamento

De olho no desenvolvimento infantil

 

Desde que os bebês nascem, já nas consultas rotineiras ao pediatra, os pais acompanham sua evolução de acordo com aquilo que se preconiza como “normal” em cada uma das fases (estar dentro da faixa de peso e altura, responder a determinados estímulos etc). Conforme os meses vão passando, outros aspectos precisam ser levados em conta e alguns atrasos podem ocorrer e ser considerados normais, outros necessitam de uma avaliação mais rigorosa de acordo com os marcos de desenvolvimento, afinal, a percepção pode indicar um sinal de alerta, mas ainda assim será subjetiva.

Segundo a fonoaudióloga Érika Campos, criadora do Método dos Dedinhos, que estará em Campinas em agosto para o curso na Ludens (link aqui), existem alguns fatores que influenciam para que o desenvolvimento da fala, por exemplo, se dê de forma satisfatória. São eles:

• Aspectos auditivos
• Aspectos anatômicos e fisiológicos
• Boa integridade e funcionamento de estruturas orofaciais
• Aspectos cognitivos
• Base genética (ex: gene FOXP2)
• Epigenética
• Estímulos: ambiente familiar e escolar
• Planejamento e programação de áreas cerebrais específicas para o controle motor e fonológico da fala

Quando algum desses aspectos está afetado, a sequência normal de desenvolvimento da fala passa por interferência, ocasionando uma série de dificuldades como:

• Atraso fonológico
• Desordens articulatórias
• Variabilidade limitada de movimentos de fala
• Produções variáveis na produção de fala
• Limitação de vogais e consoantes em seu repertório oral
• Formas silábicas e palavras limitadas
• Processos fonológicos inadequados
• Erros atípicos para sua idade cronológica
• Entonação atípica
• Diminuição da inteligibilidade
• Groping, tateios para encontrar o ponto articulatório correto
• Dificuldades de planejamento e programação
• Dificuldade em coarticulação de sílabas

Portanto, os pais devem ficar atentos a algumas orientações a partir dos marcos desenvolvimento da criança. “Se a partir dos 2 anos e 6 meses a criança ainda não pronuncia o P, o B ou o M, ela já apresenta erros atípicos frente ao desenvolvimento na fala e devem ser avaliadas e já iniciar estimulação com um fonoaudiólogo com conhecimento e experiência em transtornos de fala e linguagem, incluindo os distúrbios motores da fala para iniciar a estimulação”, explica Érika.

Outro ponto a ser analisado é como a criança se comunica, se ela faz muitos gestos para falar, se aponta muito para conseguir o que quer ou se puxa a mão do adulto para conseguir as coisas. Da mesma forma, se ela é muito quieta, faz pouco contato visual e gosta de isolar-se. “O diagnóstico mais preciso pode vir a partir dos 3 anos”, complementa.

A fonoaudióloga explica que no momento que a criança começa a desenvolver um repertório de palavras (substantivos e verbos) é importante também seguir os marcos para o desenvolvimento de linguagem e cognição. E o trabalho é feito com o desenvolvimento de frases simples com sujeito+verbo+substantivo e posteriormente com o uso de adjetivos, artigos, preposições e demais elementos de conexão.

Mas afinal, toda criança poderá se desenvolver?

De acordo com Érika, o desenvolvimento de fala e de linguagem irá depender de vários fatores, mas o diagnóstico terapêutico do fonoaudiólogo frente ao quadro é o primeiro passo. Após, será avaliado se existe alguma comorbidade, se a criança apresenta alguma síndrome ou transtorno associado e o grau de comprometimento (leve, moderado, profundo e severo). “A idade de início da estimulação, o tipo de tratamento, a intensidade e a frequência do mesmo e aderência da família e da escola também são fundamentais para esse desenvolvimento”, conta Érika.

Atrasos na alfabetização

O professor costuma ser o primeiro profissional a enxergar sinais de dificuldade no processo de aprendizagem da criança. A partir desse apontamento, os pais devem procurar um psicopedagogo e um fonoaudiólogo para avaliação e intervenção precoce, que é essencial.

Os principais problemas de fala e linguagem na escola são relacionados à capacidade de ler e escrever, socialização e desempenho escolar. Dificuldades de comportamento como hiperatividade e problemas de conduta também interferem diretamente.

Fatores que podem prejudicar a aprendizagem

•​Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)
•​Deficiência intelectual
•​TEA – Transtorno do Espectro Autístico
•​Dislexia
•​Transtorno no desenvolvimento do processamento auditivo
•​Dificuldades de linguagem oral (apraxia de fala, transtornos fonológicos)
•​Distúrbios de aprendizagem causados por falta de oportunidade educacional
•​Mudança de escola
•​Faltas nas aulas

Sinais de alerta em cada fase escolar

Fase pré-escolar

•​Começa a falar mais tarde
•​Tem dificuldades para encontrar palavras apropriadas para a conversação
•​Dificuldades de nomear rapidamente palavras de uma categoria
•​Dificuldade com rimas
•​Problemas para aprender o alfabeto, dias da semana, cores, formas e números
•​Criança extremamente agitada e facilmente se distrai
•​Dificuldade para seguir ordens e rotinas

Fase escolar inicial

•​Demora para aprender as relações entre letras e sons
•​Dificuldade para sintetizar os sons e formar palavras
•​Comete erros consistentes de leitura e ortografia
•​Dificuldades para relembrar sequências e dizer horas
•​Lentidão para aprender novas habilidades
•​Dificuldades em termos de planejamento

Fase escolar – séries mais avançadas

•​Lentidão para aprender prefixos, sufixos, rota lexical e outras estratégias de leitura
• Evita leitura em voz alta
• Dificuldade com enunciados dos problemas de matemática
• Soletra a mesma palavra de modos diferentes
• Dificuldade para lembrar ou compreender o que foi lido
• Trabalha lentamente
• Dificuldade para compreender/generalizar conceitos
• Confusões em termos de endereços e informações

Outro ponto importante a ser avaliado, segunda a fonoaudióloga Érika Campos, é a dislexia. Seus sintomas são associados a transtorno de leitura, desempenho significativamente inferior, transtorno de expressão escrita, disortografia e disgrafia.

Tratamentos reconhecidos cientificamente

Alguns métodos de tratamento para atraso de fala, linguagem e alfabetização foram desenvolvidos com resultados comprovados. O Método dos Dedinhos, por exemplo, apresenta gestos específicos para cada fonema da língua portuguesa para desenvolver fala e alfabetização e gestos específicos para os elementos de conexão para formar frases. Além dos Dedinhos, também podem ser citados: Prompt, DTTC (Dynamic Temporal and Tactile Cueing), Hanen, Speech -EZ, Método das Boquinhas, Panlexia, Dolf e Método dos Dedinhos ABC.

Você sabia?

•​Crianças com dificuldade de linguagem oral apresentam risco na alfabetização (Kamhi & Catt, 2005).

•​Desordens de leitura envolvem os 5 domínios linguísticos: fonologia, morfologia, sintaxe, semântica e pragmática.

•​As dificuldades de leitura e soletração podem ser causadas por deficiências fonológicas em algumas crianças.

•​De 50 a 70% das crianças com desordens graves de fala apresentam desordens na alfabetização.

•​Crianças com dificuldades na linguagem oral apresentam dificuldades de rimas e segmentação.

 

 

Acesse também curso Método dos Dedinhos