17 de julho de 2020

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por: ludens

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Categorias: Novidades de Tratamento

Centenário Dra. Anna Jean Ayres

Jean Ayres e a história da Integração Sensorial (IS)

Em 18 de julho de 1920 nascia Anna Jean Ayres, terapeuta ocupacional americana que deu vida à Integração Sensorial (IS) e que muito orgulha sua classe profissional. Neste mês, a Ludens homenageia Jean Ayres pelo centenário de seu nascimento e aplaude sua descoberta com a certeza de que ela fez, faz e fará muita diferença na vida das pessoas.

Mas, afinal, o que é a Integração Sensorial?

É uma área de especialidade da Terapia Ocupacional que se baseia em mais de 40 anos de pesquisa e desenvolvimento da teoria. O termo “integração sensorial” refere-se a:

  • A forma como o cérebro organiza as sensações para o envolvimento na ocupação.
  • Uma teoria baseada na neurociência que fornece a perspectiva para avaliar as dimensões sensoriais do comportamento humano.
  • Um modelo para a compreender a forma com que a sensação afeta o desenvolvimento.
  • Avaliações incluindo testes padronizados, observação sistemática e entrevistas com pai ou professor que identificam padrões de disfunções de integração sensoriais.
  • Estratégias de intervenção que melhoram o processamento de informações, a práxis e o engajamento na vida diária dos indivíduos.

História da Integração Sensorial

 A especialidade de integração sensorial (IS) foi originalmente desenvolvida por A. Jean Ayres PhD, OTR, que era ao mesmo tempo terapeuta ocupacional e psicóloga educacional. Como parte do corpo docente de terapia ocupacional da Universidade do Sul da Califórnia (USC), ela desenvolveu um quadro teórico, um conjunto de testes padronizados (hoje conhecidos como os Testes de Integração Sensorial e Práxis – SIPT) e uma abordagem clínica para identificação e tratamento de problemas de IS em crianças. Suas publicações sobre integração sensorial abrangem um período de 30 anos a partir da década de 1960 até a década de 1980 e incluem estudos psicométricos, bem como ensaios clínicos e estudos de casos individuais.

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O que significa Terapia Ocupacional com base em Integração Sensorial?

A maior parte das pesquisas e da prática em Integração Sensorial é focada em crianças que têm uma série de dificuldades de desenvolvimento e aprendizagem, incluindo autismo e outras deficiências e condições de risco do desenvolvimento, comportamento e distúrbios de atenção, dificuldades de aprendizagem e dispraxia. Uma avaliação minuciosa é fundamental para determinar se um problema de processamento sensorial é um fator no desenvolvimento da criança, e em caso afirmativo, definir quais as estratégias de intervenção que mais irão ajudar esta criança e sua família.

A intervenção clássica geralmente ocorre dentro de um ambiente terapêutico especialmente concebido, que permite ao terapeuta apresentar desafios sensoriais e de movimento específico para a criança, que gradualmente aumentam em complexidade ao longo do tempo. Este tipo de intervenção é caracterizado por uma atmosfera lúdica em que a criança é incentivada a gerar ideias para atividades, para responder de forma flexível a novos desafios e desenvolver a confiança, bem como a competência.

A intervenção inclui consultas e instrução aos pais, professores e outros profissionais de saúde, modificação de ambientes e inclusão de atividades com base sensorial apropriada ao longo do dia. A aplicação dos princípios de integração sensorial dentro das clínicas, empresas e instituições leva em consideração as demandas sensoriais no local de trabalho. A aplicação em outras populações leva em conta, também, as diferenças e exigências sensoriais e práticas desta população, como por exemplo, adultos com autismo.

Mais sobre Integração Sensorial

O termo integração sensorial tem um significado especial para terapeutas ocupacionais. Em alguns contextos, é usado para se referir a um modo particular de visualização da organização neural de informação sensorial para o comportamento funcional. Em outras situações, este termo refere-se a um quadro clínico de referência para a avaliação e tratamento das pessoas que têm distúrbios funcionais no processamento sensorial. Ambos os significados foram originados na obra de A. Jean Ayres, terapeuta ocupacional e psicóloga educacional, cujas pesquisas originais e insights clínicos brilhantes revolucionaram a prática da terapia ocupacional com crianças.

As ideias de Ayres marcaram o início de uma nova forma de olhar para as crianças e compreender melhor sobre o desenvolvimento, aprendizagem e problemas emocionais que surgem durante a infância.

Integração Sensorial no desenvolvimento da criança

Uma das contribuições mais distintas que Ayres realizou para entender o desenvolvimento da criança era seu foco no processamento sensorial, principalmente com relação aos sentidos proximais (vestibular, táteis e proprioceptivos). Do ponto de vista da integração sensorial, esses sentidos são enfatizados pois são primitivos e primários; eles dominam as interações da criança com o mundo no início da vida. Os sentidos distais, de visão e audição são críticos e tornam-se cada vez mais dominantes à medida em que a criança amadurece. Ayres acreditava, no entanto, que os sentidos centrados no corpo são uma base sobre a qual as ocupações complexas são construídas.

Além disso, quando Ayres começou seu trabalho, os sentidos vestibular, tátil e proprioceptivo foram praticamente ignorados pelos estudiosos e médicos que estavam interessados no desenvolvimento da criança. Ela, então, dedicou sua carreira a estudar os papéis que esses sentidos esquecidos desempenham no desenvolvimento e na gênese de problemas de desenvolvimento das crianças. Uma suposição básica feita por Ayres, era que a função do cérebro é um fator crítico para o comportamento humano. Ela fundamentou, portanto, que o conhecimento da função e disfunção cerebral lhe daria uma visão sobre o desenvolvimento da criança e assim a ajudaria a entender os problemas relacionados a esse desenvolvimento.

No entanto, Ayres também tinha uma orientação pragmática que surgiu de sua experiência profissional como terapeuta ocupacional. Ela estava preocupada especialmente com o modo como as funções do cérebro afetavam a capacidade da criança de participar com sucesso em ocupações cotidianas. Consequentemente, o seu trabalho representa uma fusão de insights neurobiológicos com as preocupações práticas e cotidianas dos seres humanos, em particular das crianças e suas famílias.

Assim que Ayres desenvolveu suas ideias sobre a integração sensorial, ela usou termos como integração sensorial, resposta adaptativa e práxis de maneiras que refletissem sua orientação. Ela tirou outros termos da literatura e outros campos. Quando Ayres emprestou um termo de outro campo, no entanto, ela conferiu um significado especial para ele. Por exemplo, ela não usou o termo integração sensorial para se referir unicamente às conexões sinápticas intrincadas dentro do cérebro, como os neurocientistas. Em vez disso, ela aplicou a processos neurais e como eles se relacionam com o comportamento funcional. Daí sua definição de que a integração sensorial é a “organização da sensação para o uso” (Ayres, 1979, p. 5). Esta inclusão da cláusula final “para uso”, define uma marca de Ayres, pois amarra o processamento sensorial à ocupação da pessoa.

Ayres introduziu um novo vocabulário da teoria da integração sensorial e sintetizou conceitos importantes da literatura neurobiológica para organizar seus pontos de vista sobre o desenvolvimento da criança e disfunção. Muitas dessas ideias foram publicadas pela primeira vez em seu livro clássico de 1972, Sensory Integration and Learning Disorders(Integração Sensorial e Transtornos de Aprendizagem). Mais tarde, em 1979 (com reedição em 2004), ela escreveu um livro para os pais, Sensory Integration and the Child(Integração Sensorial e a Criança), delineando as mudanças de comportamento que podem ser observadas em uma criança à medida em que a integração sensorial se desenvolve.

 

De Parham, D., & Mailloux, Z. (2001). Sensory Integration. In J. Case-Smith (Ed.), Occupational therapy for children (pp. 329-381). Philadelphia, PA: Mosby.

 

Original em Inglês – USC

Programa USC Chan de Certificação e Educação Continuada em Integração Sensori