17 de julho de 2018

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por: ludens

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Categorias: Técnicas e Métodos

Bye Bye Fraldinha!

 

Um tema sempre presente em conversas de pais de filhos pequenos: a hora certa do desfralde. Alguns fazem chantagens emocionais, outros usam peniquinhos musicais para atrair a atenção, tem quem faça contagem de pontos/estrelinhas/adesivos, ou deixam de dar líquido horas antes de dormir. Tem até quem deixe o filho molhado por algum tempo acreditando ser a solução, mas a verdade é que cada criança tem o seu tempo, sendo necessários paciência, complacência e treino.

 

“Para nós, Terapeutas Ocupacionais, o desfralde mostra um importante passo no desenvolvimento motor e no amadurecimento da criança, além da autonomia e de ser uma porta de entrada para o mundo da linguagem e da demanda de questões pessoais por meio da percepção de seu corpo e a necessidade de incluir outras pessoas no processo”, explica Katiuscia M. R. da Silva, TO da Ludens.

 

Segundo ela, não há uma idade específica e esse processo requer uma maturação que envolve, entre outras coisas, o aspecto psíquico da criança. Afinal, ela começa a se compreender como uma pessoa que está se separando da mãe e de seus dejetos, a ter o controle esfincteriano que faz parte de uma percepção proprioceptiva e de consciência corporal entre o primeiro e segundo anos, além de ter discriminação tátil, que é a fase em que a criança se percebe molhada ou com fezes e começa a sentir incômodo.

 

Reconhecendo a sua hora

 

“Cada criança mostrará seus sinais de forma individual e particular, mas devemos ter uma postura facilitadora a partir dos 2 anos e meio, mostrar nossos hábitos cotidianos de ir ao banheiro, verbalizar sobre o que está acontecendo, ofertar conforto através de penicos ou redutores para que a criança possa se sentir segura e relaxada”, acrescenta Katiuscia.

 

Os “acidentes de percurso”, chamados de escapes, e as repetidas trocas de roupas são constantes no início, por isso os pais devem manter uma postura encorajadora e otimista, valorizando os pedidos e tentativas. Além disso, quando optarem realmente pelo desfralde, não devem voltar atrás na decisão, e nesse momento todos os envolvidos – papais, vovós, titias, professores, terapeutas – têm que auxiliar no processo. Afinal, tirar e colocar a fralda sem consistência fará com que a criança não entenda quando está “autorizada” ou não a fazer na fralda.

 

Uma dica interessante é aproveitar um final de semana em casa para deixá-la de calcinha ou cueca durante o dia, ou mesmo substituir a fralda comum pela “pants”, que é de vestir. Assim, ela vai se familiarizando com a mudança.

 

Manter uma rotina com mapeamento do funcionamento do xixi e do cocô da criança em termos de horários e espaços, anotando em um caderno, também é importante para iniciar o processo do desfralde e o encaminhamento ao banheiro para se criar o hábito. “Trinta minutos após as ingestas líquidas, pela manhã ao acordar e após refeições”, orienta a terapeuta ocupacional.

 

Já com crianças que tenham algum problema de desenvolvimento, o melhor é sistematizar intervalos de 30 ou 45 minutos a fim de melhorar a percepção e o controle motor.

 

Tocar a área da bexiga ou fazer uma massagem na área pélviva pode auxiliar no processo de reconhecimento e controle. Além disso, abrir a torneira ou fazer som de água pode auxiliar como estimulante para relaxamento do esfíncter, levando a criança a fazer xixi/cocô.

 

Dia e noite

 

De acordo com a terapeuta da Ludens o desfralde diurno e o noturno exigem diferentes disciplinas da criança. O diurno costuma ser mais fácil e levar menos tempo pois acontece no período em que a criança está acordada e consciente. Já o noturno tende a ser um pouco mais demorado porque a criança está dormindo, sendo necessário maior maturação neurológica e preparo. “Outro fator que facilita o desfralde diurno é a rotina de ir ao banheiro na escola, pois com todas as crianças juntas o aprendizado é mais rápido”, finaliza a profissional.

 

Sinais de que a criança já pode iniciar o desfralde

 

– começa a indicar que a fralda está suja e se incomodar com o fato;

– demonstra nojo ou inquietação nos momentos em que faz xixi ou cocô;

– apresenta rituais na hora das necessidades fisiológicas (vai para um canto específico da casa, para, agacha).

 

Banheiro como aliado

 

– mostre que o banheiro é um lugar legal onde as pessoas “grandes fazem xixi e cocô”;

– use redutores e aumente o conforto;

– pode-se começar pelo penico para que a criança se sinta segura e firme, com controle postural melhor;

– faça cocô de massinhas e jogue fora se despedindo de maneira divertida;

– coloque fotos divertidas, adesivos ou leia livrinhos específicos de desfralde;

– deixe que a criança observe os adultos na hora em que estão usando o banheiro, pois fazem muito pela imitação;

– caso utilize redutor no vaso, é importante o apoio de pé para o correto posicionamento da criança;

– fale palavras de encorajamento, cante, faça gracinhas, dê os parabéns.