Beleza não Significa Perfeição

Em homenagem ao Dia Internacional das Pessoas com Deficiência a Clínica Ludens promove a discussão sobre questões relacionadas a imagem e autoimagem destas pessoas, afinal quem somos nós? Quem é perfeito? Existe perfeição?

Seguindo este viés fizemos a tradução de um artigo para compartilhar esta campanha ocorrida na Suíça em 2013 que aborda este tema com sensibilidade.

Segue abaixo artigo de Isabella Patatti:

Ninguém é perfeito. Embora a mídia mantenha a proposição de corpos altos, elegante e belos, com aparentemente nenhuma imperfeição, como pêlos ou celulite, todos nós sabemos que, fora algumas exceções, esses modelos não refletem o corpo da pessoa média. Nem os perfeitos corpos plásticos lisos que olham fixamente para fora das janelas das lojas.

Mas por que eles não podem?” Está fora de questão que o presente Pro Infirmis, uma organização suíça para deficientes físicos, decidiu lançar o seu projeto “Quem é perfeito? Chegue mais perto“.

A ideia foi criar uma série de manequins com base nos corpos de pessoas reais com deficiência (tais como malformações da coluna vertebral, escoliose, doença dos ossos frágeis, etc).

Todo o processo foi documentado em um vídeo de quatro minutos dirigido por Alan Gsponer, no qual podemos ver como as medidas dos corpos foram tiradas, como os manequins foram cuidadosamente trabalhados para espelhar os corpos reais e finalmente somos capazes de testemunhar a alegria dos modelos depois de ver suas figuras originais trazidas à vida.

É especial ver a si mesmo desta forma, quando você normalmente não pode olhar para si mesmo no espelho“, disse um dos modelos enquanto olhava para seu manequim.

Esses manequins foram vestidos cuidadosamente e colocados nas vitrines das lojas em Bahnhofstrasse, no centro de Zurique, durante o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. A reação das pessoas andando na rua também foi documentada no vídeo. “Vendo isto na real foi um grande choque“, disse uma das pessoas que pararam na frente de uma das lojas.

E esse é o ponto. Ninguém é perfeito. E, apesar de muitas agências de modelos hoje em dia estarem tentando usar modelos de todas as cores, tamanhos e formas, isso não é suficiente. O ponto central desta campanha está em aumentar a conscientização das pessoas com deficiência, não só na sociedade, mas especificamente no reino da obsessão pela imagem na moda.

Pro Infirmis não é o único envolvido nesta batalha. Muitos grupos e lojas estão tentando trazer a consciência a respeito deste tema, por exemplo, o Model of Diversity Group, que tenta promover o uso de pessoas com enfermidades e diferentes tipos de corpos nas principais passarelas, ou também com marcas e lojas de departamento como Nordstrom e a inglesa Debenhams que estão criando anúncios com modelos com deficiência.

Ninguém disse que seria fácil. Nós ainda temos um longo caminho a percorrer antes da moda começar a usar tipos de corpo diferentes e mais realísticos como formas de mostrar a sua arte. Mas, graças a Pro Infirmis e todos os outros que estão promovendo esses tipos de iniciativas, estamos chegando mais perto.

 

Artigo original em Inglês (Autora: Isabella Patatti):

http://www.360giornaleluiss.it/lifestyle/21_05_2015/beautiful-doesnt-mean-perfect/