LER/DORT pela técnica de tensão neural adversa – neurodinâmica – TNA

A eficácia do tratamento da LER/DORT pela técnica de tensão neural adversa – neurodinâmica – TNA: em estudo de caso

Cristiane Gonzaga da Costa¹, Eliana Pagani¹, Elem Marta Torello², Frederico Tadeu Deloroso³

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RESUMO

                As lesões por esforços repetitivos (LER) são afecções do aparelho osteomuscular que acometem músculos, tendões, ligamentos, articulações e nervos. Este trabalho teve como objetivo avaliar a eficácia da técnica de Tensão Neural Adversa– Neurodinâmica(TNA) de membro superior na redução da dor e amplitude de movimento (ADM), em um estudo de caso de uma paciente do gênero feminino, com 42 anos, auxiliar de serviços gerais do Centro Universitário Hermínio Ometto- UNIARARAS, com diagnóstico de LER/DORT. Para a avaliação foi usada a Escala de Avaliação da Dor3, e a Biofotogrametria Computadorizada6. Resultados: os resultados interobservadores do programa terapêutico aplicado e analisado por meio da Escala de dor,mostraram uma variação média de 3 pontos de melhora, e através da Biofotogrametria uma ganho significativo da ADM flexão/extensão de ombro Conclusão:A TNA foi eficaz na diminuição da dor e aumento da ADM de ombro levando assim a uma melhora na qualidade de vida da paciente.

Palavras-chave: LER/DORT, neurodinâmica, biofotogrametria, tensão neural adversa (TNA)

  1. Aluna da graduação do curso de Fisioterapia da Faculdade Hermínio Ometto – UNIARARAS.
  2. Fisioterapeuta, Mestre em Ciências Médicas pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP; especialista em Fisioterapia Aplicada à Neurologia Infantil pela Universidade Estadual de Campinas –UNICAMP; Professora titular do Curso de
    Fisioterapia do Centro Universitário Hermínio Ometto- UNIARARAS.
  3. Fisioterapeuta, Doutor em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP – Mestre em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP; especialista em Parasitologia e Microbiologia pelo Fundação Severino Sombra – UNIT; e Docente do Curso de Fisioterapia da Universidade Federal de Uberlândia.

Introdução

            Rio¹ designa as definições mais usuais das LER/DORT e as caracterizam como o conjunto de afecções que podem acometer partes do corpo, sobretudo em decorrência de fatores biomecânicos, como repetetividade de movimentos, força excessiva, compressão mecânica e postura inadequada. Embora conhecida há mais de 100 anos a LER tornou-se, a partir da década de 1990, muito freqüente devido ao advento da informática e dos computadores9.

Perossi4 refere que o tratamento fisioterapêutico aplicado em grande parte dos pacientes portadores da LER/DORT baseia-se na utilização de técnicas de termoterapia, eletroterapia, massoterapia, alongamentos, exercícios passivos e ativos e terapia corporal, ou seja, técnicas convencionais da fisioterapia.

Segundo Stokes11 a técnica neuromuscular – TNA foi desenvolvida nos últimos 60 anos. Em meados da década de 1930 ele buscava formas melhores de preparar as estruturas do tecido moles para a manipulação subseqüente.

A importância do movimento e deslizamento neural na extremidade tem sido recentemente enfatizada ao manuseio clínico de pacientes com múltiplos níveis de compressão nervosa15.

Baseado em observações clínicas e pesquisas experimentais, acredita-se que muitos fisioterapeutas tratam músculos, articulações ou outras estruturas sem se lembrar que estas estão conectadas ao sistema nervoso.12,13.

Através da neurodinâmica buscou-se uma nova técnica de tratamento na fisioterapia, para essa patologia5.O sucesso de qualquer tratamento necessita de uma avaliação correta e baseada em parâmetros mensuráveis.

Baraúna e Ricieri6 definem que o tratamento fisioterapêutico necessita ser mensurado, o que muitas vezes não acontece. Dessa forma esse trabalho propõe avaliar a eficácia da técnica de neurodinâmica através da biofotogrametria a qual é de origem grega, onde o termo expressa a aplicação da fotografia à métrica. Desenvolveu-se através da aplicação dos princípios fotogramétricos às imagens fotográficas obtidas de movimentos corporais; a essas imagens foram aplicadas bases apropriadas de fotointerpretação. No Brasil os estudos tiveram início em torno de 1984.

A estimativa da dor, através da Escala Analógica de Dor possibilita que o paciente determina uma classificação numérica para a dor (mais comumente entre 0 e 10, onde 0 representa sem dor e 10 dor máxima tolerável) uma vez que ele fornece uma faixa numérica torna-se valiosa para propósito de análise3.

Material e Método

Este trabalho teve como objetivo um estudo de caso de uma paciente de 42 anos, gênero feminino, auxiliar de serviços gerais do Centro Universitário Hermínio Ometto – UNIARARAS com diagnóstico de LER/DORT apresentando sintomatologia de dor no membro superior direito (MSD), irradiando até os metacarpos (mãos). Para a avaliação do procedimento experimental foi realizada uma avaliação inicial com Biofotogrametria Computadorizada6, realizada na Clínica Escola da Faculdade Hermínio Ometto – Uniararas, onde a paciente foi fotografada com vestes adequada com marcações dos pontos pré-determinados (em punho, cotovelo e ombro), através de uma máquina digital apoiada sobre um tripé devidamente nivelado10.

O tratamento foi realizado utilizando-se a técnica TNA, aplicada na paciente, em sessões de 20 minutos, 3x/semana durante 30 dias, com aplicação da Escala de Dor, em todas as sessões antes e após aplicação do tratamento, a qual atribui uma pontuação de 0-10, dependendo do nível de dor da paciente.

Escala de classificação para mensuração da intensidade da dor-Escala visual análoga (VAS)³.

Escala visual VAS

Após a avaliação inicial, e a realização do tratamento, para concluir o protocolo foi realizada uma reavaliação pela mesma técnica já utilizada a Biofotogrametria Computadorizada para a obtenção dos resultados esperados.

Resultados

A tabela 1 mostra os resultados da confiabilidade interobservadores do programa terapêutico aplicado e analisado por meio da Escala Analógica de Dor3.

A partir da análise dos dados, observou-se uma variação média de 3 pontos de melhora na Escala Analógica de Dor3, nos dia em que a paciente chegou referindo dores.

Tabela 1. Escala de Dor Inicial e final relacionada a cada atendimento realizado.

Data da Intervenção Escala de dor Inicial Escala de Dor Final
18/04/2007 7 3
19/04/2007 4 3
23/04/2007 0 0
24/04/2007 0 0
26/04/2007 6 0
03/05/2007 9 0
07/05/2007 0 0
09/05/2007 8 0
10/05/2007 0 0
15/05/2007 0 0
16/05/2007 7 0
17/05/2007 0 0

 

Pela Biofotogrametria observou-se que a flexão de ombro na avaliação inicial foi de 77.31 graus (figura 1), e na extensão 44.34 graus (figura 2).

Fig.1.Flexão de ombro-avaliação inicial.

Fig.2 .Extensão de ombro-avaliação inicial.

 

Na avaliação final após as intervenções, observou-se o aumento da ADM de ombro, sendo a flexão de 85.38 graus(figura 3); e extensão de 50.38 graus (figura 4), perfazendo uma melhora na ADM de flexão de 8,07 e na extensão de 6,04.

Fig. 3.Flexão do ombro–avaliação final.

Fig. 4.Extensão do ombro–avaliação final.

 

Discussão

             Diferentes abordagens terapêuticas vêm sendo oferecidas para a LER/DORT, pelo serviço de saúde, porém há a necessidade de avaliação da eficácia do tratamento, o que é essencial para um resultado eficaz e rápido.

Desta forma neste estudo verificou-se a importância da mobilização neural adversa no tratamento da LER/DORT, a qual ajudou a mudar um enfoque puramente mecânico para uma perspectiva que incluem as influências inseparáveis da mecânica e da fisiologia do sistema nervoso. O objetivo do tratamento não é “liberar” mecanicamente o tecido, mas dar a ele um ambiente químico e fisiológico adequado¹³.

O achado científico neste trabalho de melhora na ADM de flexão e extensão de ombro tem base científica em que a extensão do ombro fecha os forames intervertebrais (e, portanto, aumenta a pressão das raízes) e a flexão aumenta os forames. Sendo assim os movimentos lentos e adaptados da neurodinâmica proporcionam um alongamento e uma adaptação dos nervos envolvidos, melhorando a dor e promovendo uma melhora qualitativa funcional e ganho da amplitude de movimento13.

Pinto7 descreve que a ficha de avaliação deve incluir critérios para uma boa análise fisioterapêutica, reunindo testes confiáveis, possibilitando a avaliação mais abrangente dos pacientes e optando pela conduta apropriada.

Meyer8 em seus estudos demonstrou que instrumentos de avaliação, tem que ser de fácil aplicação, facilitando a mensuração dos dados para a determinação da patologia.

Em concordância a estes autores, para uma avaliação criteriosa da ADM, optou-se pelo método da biofotogrametria, o qual se desenvolveu pela aplicação dos princípios fotogramétricos em movimentos corporais, gerando uma nova ferramenta de estudo da cinemática, podendo ser usada para diagnóstico físico funcional pelos fisioterapeutas, em diferentes áreas10.

Outra escala utilizada que mostrou neste trabalho o resultado de 3 pontos de diferença na melhora da dor, no início da sessão e ao final desta, foi a Escala Analógica de dor. Este resultado pode ser explicado pela inibição das células T, que possibilitam o fechamento do portão para a entrada da dor e interpretação desta no córtex. 3.

Construir alternativas terapêuticas, além da abordagem clínica da LER/DORT; fornecem dados e intrumentalizam14.

 

Conclusão

A análise realizada no presente estudo permitiu demonstrar a importância da técnica de TNA, nos distúrbios da LER/DORT, proporcionando a diminuição da dor e aumento da amplitude de movimento de ombro. Concluindo-se assim a importância de unir instrumentos de avaliações precisos, com técnicas de tratamento adequadas para proporcionar a melhora da qualidade de vida da paciente.

Após as intervenções a paciente continuou o tratamento através de um trabalho de ergonomia, realizado na Faculdade Hermínio Ometto – Uniararas, destinada a funcionários.

 

Referências

  1. RIO PR, LER/DOR: Ciência e Lei. Belo Horizonte-MG: Health; 2000.
  2. PEROSSSI SC, LER/DORT, São Paulo: 1998 (Seminário apresentado no curso de especialização em Psicossomática do IBEHE – Universidade Estadual do Rio de Janeiro). p.13-14.
  3. OLIVEIRA CR, Manual prático de LER: lesões por esforços repetitivos. Belo Horizonte: Health; 1998.
  4. BARAÚNA MA, MACHADO VMI, SILVA RAV, MONTES FP, MENDES MVP, SANCHES HE, et al. Avaliação do arco longitudinal medial do pé de crianças através da biofotogrametria computadorizada. Revista Fisioterapia Brasil 2005;6(5):361-364.
  5. PINTO PR, MORAES GC, MINGUINI BV. Confiabilidade de um modelo de avaliação para portadores de LER/DORT: a experiência de um serviço público de saúde. Revista Brasileira Fisioterapia 2005; 9(1):85-91.
  6. MEYER, PF, LISBOA FL, ALVES MCR, AVELINO MB,. Desenvolvimento e aplicação de um protocolo de avaliação fisioterapêutica em pacientes com fibro edema glenóide. Fisioterapia em Movimento 2005;18(l):75-83.
  7. KARLO, T. R. Dangerous work: repetitive strain injury at MIT. 1996 [Acesso 2006 set 17]. Disponível em URL: http://www-tech.mit.edu/V116/N24/rsi.24n.html.
  8. BARAÙNA MA, DUARTE F, SANCHES HN, CANTO RST, MALUSA S, CAMPELO-SILVA CD, et al. Avaliação do equilíbrio estático em indivíduos amputados de membros inferiores através da biofotogrametria computadorizada. Revista Brasileira de Fisioterapia 2006;10(1):83-89.
  9. STOKES M. Neurologia para fisioterapeutas. São Paulo: Premier; 2000. p.319-324.
  10. MARINZECK S. Avaliação e tratamento de um paciente com dor lombar neurogênica: mobilizando o tecido neural. [Acesso em 2006 maio 18] Disponível em: URL: http://www.terapiamanual.com.br.
  11. MARINZECK S. Mobilização neural: aspectos gerais, Ft, M.Phty (Manip), MPAA. [Acesso em 2006 maio 19] Disponível em: URL: http://www.wgate.com.br.
  12. MERLO ARC, JACQS MGC, HOEFEL MGL. Trabalho de grupo com portadores de LER/DORT: relato de experiência. 2001 [Acesso em 2007 set 11] Disponível em: URL: www.scielo.com.br.
  13. MAHMUD AI, MERLO ARC, GOMES I, BECKER J, NORA DB. Relação entre tensão neural adversa e estudos de condução nervosa em pacientes com sintomas da síndrome do túnel do carpo. Revista Neuro-psiquiatria 2006;64(2):1-9.